Por que você deve ler o livro Eu odeio Ele?

Priscila Maia é uma jovem como eu e você. Uma pessoa comum, que desejava ser feliz à sua maneira, trilhar o seu próprio caminho, ter a chance de fazer suas escolhas. 

No meio dessa busca ela encontrou o que todos acham ao buscar felicidade: dor. Afinal de contas, o sofrimento faz parte do caminho. 

Se você é uma jovem que só quer ser feliz e amada, a história de Priscila, contada no livro Eu odeio Ele, é para você.

Se às vezes você sente que ninguém te ama e que não há pessoa no mundo que se importa de verdade com você, Eu odeio Ele é para você. 

Se você já fez escolhas erradas na vida e hoje vive (ou já viveu) as consequências dessas escolhas, Eu odeio é para você.

Se você já pensou que Deus não existe ou que ele é seu inimigo, Eu odeio Ele é pra você. 

Se você não se encaixa em nada do que falei, mas está lendo esse texto, Eu odeio é para você. 

Em julho haverá o lançamento do livro Eu odeio Ele, mas você já pode curtir um pouco da história aqui no blog

Eu odeio Ele – Como escolhi o nome da história

Para ser sincera com vocês não foi nada difícil 🙈

Após finalizar uma das primeiras versões da história e pensar um pouco sobre a tragetória de Priscila o nome surgiu na minha mente.

Acredito que foi inspiração Divina porque hoje parando para pensar jamais eu chegaria em um título que resumisse tão bem a vida de Priscila Maia.

Isso não quer dizer que a escolha do nome de um livro é um processo fácil, porque não é. Ás vezes eu quebro a cabeça para encontrar títulos que se encaixe nos meus textos.

“Eu odeio Ele” foi uma execeção da regra e eu agradeço a Deus por isso 🙈😀.

Quando você terminar algum texto e estiver difícil pensar em um título, o ideal é esperar alguns minutos, horas ou dias, se possível, reler o material e então matutar algumas sugestões. Se não der certo, repita o processo quantas vezes forem necessárias.

Não se desespere, faça com calma, afinal de contas tem que ser uma escolha bem feita, já que é o título que irá atrair ou não o leitor para sua história/texto.

Reconstrução

Tudo era muito novo pra mim

Eu só queria me divertir

Mas no fim eu me perdi

Quando olho pra trás sei que não valeu a pena

deixar minha alma como uma pena.

Hoje eu quero perdão

mas não sei se posso ter um novo coração.

Tudo me mostra que eu estou na contramão.

Só que eu não vou desistir

Eu vou conseguir me reconstruir

E meu coração não irá ruir.

Priscila Maia

Conheça a história de Priscila Maia, aqui

Lançamento do livro Eu odeio Ele – A história de Priscila

Eu odeio Ele – Epílogo

– Amor, vamos chegar atrasados na apresentação. Já está todo mundo lá na sala.

– Só estou calçando a sandália!

Ele entrou no quarto todo agoniado, aquilo costumava me deixar maluca, será que não podia entrar como uma pessoa normal?

– Você disse isso há vinte minutos. A Nanda já se desarrumou toda, a Clara está tendo que colocar o cabelo dela no lugar, mas não sei se vai conseguir.

– Será que três homens e uma mulher não conseguem controlar uma menina de oito anos? – Perguntei.

– Não quando essa garota puxou a mãe! – Alfinetou e eu sorri. Calcei a sandália e me levantei, ele ainda estava me aguardando na porta. 

– Você está linda. – O elogio e seu olhar percorrendo todo o meu corpo me causou calafrios. Dei um abraço nele para que a sensação demorasse um pouco mais.

– Como acabamos assim? – Sussurrei em seu ouvido.

– A pergunta certa é: Como o policial ajuizado terminou com a adolescente rebelde e revoltada.

– Ei! Eu não sou nem rebelde nem revoltada! – Dei uma tapa nele de brincadeira, e fui retribuída com um beijo, que como sempre fez meu coração disparar.

– Correção: você era. – Disse passando a boca pelo meu pescoço.

– Não era você que estava apressado?

– Eles podem esperar.

– Cuidado, você não consegue enfrentar dois pais.

– Se você diz… – Voltou sua atenção para minha boca e  eu realmente desejei que não que não tivéssemos que sair.

– Mãe! – A Nanda gritou ainda na sala.

– Essa eu não enfrento.

Dei uma risada, parei o beijo e me afastei um pouco dele. Minha filha entrou no quarto na mesma agonia do Ricardo. 

– Vamos gente! Vamos chegar atrasados! – Ela disse puxando o Ricardo pelo braço e ele não fez resistência para obedecer.

– Nós já estávamos indo, mas sua mãe demorou para calçar a sandália.

– Vamos deixar ela, tio Ricardo. 

Os dois saíram rindo e me obrigando a correr para alcançá-los.

Quando cheguei à sala dei de cara com todos já na porta, inclusive a Marta e minha tia – que tinha acabado de chegar –. Fiz uma prece silenciosa, agradecendo a Deus por todas as pessoas que Ele colocou em minha vida e por ter me dado a chance de recomeçar com outra pessoa, mesmo quando achei que isso não seria possível.

Olhei pra Nanda e lembrei do Fumaça, senti saudades dele, mas eu sabia que ficar pressa ao passado não ia adianta nada. Se eu pudesse voltar atrás faria, sim, tudo diferente, mas ai quem sabe, eu não tivesse descoberto toda verdade a tempo, não tivesse ganhado mais um pai, uma irmã, não teria conhecido o lado vó da Marta, já que ela trata a Nanda como se fosse da Clara e não estaria casada com o Ricardo.

Porém o mais importante: não teria aprendido a perdoar de uma forma tão profunda. Jamais teria descoberto que podemos ser feliz – apesar de nossas escolhas erradas – quando somos humildes e reconhecemos que precisamos de Deus. Por fim, não estaria aqui contando minha história para todas as pessoas que desejam liberdade ou que já descobriram os riscos que viver buscando ser livre trás. Existe sim final feliz, eu sou a prova viva disso.  Deus transformou os males da minha vida em bem, e hoje eu sei que nunca tive motivos para odiá – Lo.

Fim.

Eu odeio Ele – A vida me sorriu

Será que nossa querida Priscila vai se apaixonar de novo?

Capítulo 43

“Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou.” (Apocalipse 21:4)

– Nós temos que ir, Pri, vai ser o máximo!

– Eu não vou. Odeio muita gente em cima de mim.

– O pai vai querer você lá, – eu sabia que a intenção dela não era agradá-lo – você sabe como a imprensa fica em cima sempre que abre mais uma loja.

– Ele sabe que odeio câmeras.

– Priscila, você precisa ter uma vida social, ficar indo só pra faculdade e pro trabalho não vai ti fazer arrumar um namorado.

– Primeiro, eu tenho uma vida social e segundo não quero arrumar um namorado!

– E eu finjo que acredito.

A Clara tem pegado no meu pé com isso há algum tempo e já estou ficando irritada.

– Você não tinha aula agora?

– Fui!

Minha aula só começava em meia hora, então decidi ir lanchar antes. 

Fiz o pedido e estava esperando na mesa, quando um rosto conhecido entrou.

Vê aquela fisionomia me fez voltar no tempo para um período em que não passava de uma menina mimada. Um tempo em que eu não fazia ideia se ia sobreviver a guerra que travava com Deus.

 Era o Ricardo. Não pensei duas vezes e fui correndo falar com ele.

– O que você está fazendo aqui? Não ouviu falar que já sou crescida e não preciso de proteção. – Ele se virou assustado na direção da minha voz e ficou surpreso em me ver.

– Mas pelo visto não deixou de ser marrenta. – Brincou e me abraçou. Aquela proximidade fez meu coração bater mais forte, acredito que pela alegria de ver um amigo.

Esperei que ele fizesse o pedido e fomos em direção de onde eu estava sentada.

– O que você está fazendo aqui?

– Estudando. – Continuava com o mesmo rosto de menino, apesar dos traços mais maduros.

– Desde quando policial faz faculdade?

– Desde que ele descobre que não nasceu pra isso e resolve tentar direito. Passei em um vestibular nessa universidade e aqui estou. 

– Eu sempre soube que você não levava jeito pra coisa. – Disparei e me arrependi na hora. – Desculpe.

– Pena que eu demorei tanto pra descobrir.

– Seu fraco ainda é acreditar nas pessoas?

– Sim. – Ele sorriu.

– Então fica longe de direito criminal.

– Pode deixar, e você o que anda fazendo?

 – Estudando, trabalhando e sendo mãe de uma menina.

– Fico feliz que tenha se acertado. – Ele pareceu tão sincero que por algum motivo fiquei sem graça. 

– Como você sabe? – Perguntei diminuindo o volume da voz. 

– Você está diferente. – Tomei isso como um elogio. – Qual o nome da sua filha?

– Fernanda e antes que pergunte não se parece comigo.

– Sério? – Ele pareceu decepcionado. – Isso é muito bom pra ela, – acrescentou e eu rir – já é difícil controlar uma pessoa teimosa, imagine duas.

– Do mesmo jeito que você nunca controlou sua língua, né?

– Esse foi um dos motivos que me fizeram sair da polícia. Vou tentar usar esse defeito para o bem.

– Acho que agora você irá se encaixar. – Falei com sinceridade.

Ele assentiu, meio sem graça, e ficou me encarando por uns 4 segundos – acredite, eu contei, pois sustentei o olhar, mas posso jurar que estava vermelha.

– E sua mãe como está?  – De repente sua voz ficou meio rouca, tremida. Será que ele estava nervoso?

Fiz um resumo do estado dela e da minha última visita.

– Imagino o quanto seja difícil ter que lidar com essa situação, principalmente seu pai.

– Verdade, mas uma vez alguém me disse que não somos capazes de nos acostumarmos com a dor, porém podemos aprender a lidar com ela, e acho que é isso que estamos fazendo. Cada dia descobrimos uma nova maneira de enfrentar a situação.

Seus olhos se iluminaram.

– Você ainda lembra disso?

– Claro! – Admiti meio envergonhada.

Começamos a conversar de outras coisas, ele fez algumas perguntas sobre a Nanda, e por algum motivo o clima pareceu mais leve do que o normal. 

– E sua tia?

– Está bem, sempre vai lá em casa, conversa com a Nanda, tem proximidade com a gente, mas nossa relação continua sendo de filha e sobrinha. Apesar de não ter mais raiva dela, ainda é estranha vê-la como mãe.

– Fico realmente feliz que você esteja enfrentando tudo da maneira certa.

– Quando paramos de lutar contra Deus sabemos o que e como fazer, não é?

– É sim, e pelo visto você só fingia desinteresse no que eu falava.

– Eu nunca fiz isso! – Fiz cara de ofendida. – Sempre levei muito a sério suas palavras fora de hora.

Nós dois rimos e pela primeira vez em anos meu coração bateu sutilmente mais forte – dessa vez, eu tinha certeza que não era pelo encontro com um amigo –. Talvez tenha sido impressão minha, mas acho que os olhos do Ricardo ficaram mais brilhosos quando o garçom se aproximou e disse que meu pedido demoraria um pouco. 

Continua…

Eu odeio Ele – 4 anos depois

Descubra se Priscila de fato conseguiu seguir em frente e escrever uma nova história pra sua vida.

Capítulo 42

“Eis que faço novas todas as coisas.” (Apocalipse 21:5)

– E foi assim que tudo aconteceu.

O silêncio em resposta me fez entender que de nada tinha adiantado eu contar toda a história. Ela simplesmente não ouvira.

– Mãe, eu já vou indo, o pai ficou com a Nanda e sempre tenho que levá-la ao dentista de tanto doce que eles comem quando estão só. – Eu disse, mesmo sabendo que minha presença ali não passava de um borrão.

Já vai fazer cinco anos que minha mãe está internada e não houve nenhuma melhora em seu quadro. Meu pai sempre vem visitá-la, com o tempo isso deixou de ser algo doloroso para ele, mas pra mim não. Eu nunca me acostumei – e desconfio que isso nunca vai acontecer – em vê-la com o olhar distante, perdida em seu próprio mundo.

Essa é a terceira vez que eu venho e isso só aconteceu porque os médicos tinham esperança de que ela reagisse caso eu lhe contasse tudo o que tinha acontecido. Mas infelizmente ela não mudou de posição nem por um segundo. 

– Como foi com sua mãe? – Perguntou cheio de esperança assim que entrei em casa.

– Tudo na mesma, pai.

Ele não disse nada e eu acrescentei.

– O senhor precisa continuar sua vida, eu tenho certeza que Deus não quer vê-lo sozinho pra sempre. Infelizmente não podemos fazer mais nada pela mamãe, apenas orar.

– E existe coisa mais valiosa que a oração? Sem falar que é na saúde e na doença, lembra? – Por mais que tentasse, ele não conseguia esconder a tristeza na voz ao lembrar do estado de minha mãe.

Como eu não tinha resposta, escolhi abraçá-lo.

– Cadê a Nanda? 

– Já foi dormi.

Segui até o quarto, que antes era meu, para dá uma conferida nela e a encontrei de olhos bem abertos. 

– Pensei que já estivesse dormindo.

– Estava, mas tive um sonho ruim e acordei. – Respondeu com a voz dengosa.

– E por que não chamou seu avô? – Perguntei sentando na cama. 

– Porque eu queria falar com você, mamãe. – Ela falava tão sério que parecia até gente grande, tive vontade de rir, mas passou assim que ela continuou. – Eu sonhei com o papai, ele estava me empurrando na cadeira de balanço, mas ai quando eu olhava pra trás ele não tinha rosto. – Ouvir aquilo partiu meu coração. – Por que você nunca me mostrou uma foto dele? Todo mundo na minha escola pergunta como ele era e não sei falar nada.  

– Meu amor, – sentei ela nas minhas pernas e aconcheguei em meus braços – seu pai não gostava de tirar fotos, mas se você quiser saber como ele era é só se olhar no espelho. – Ela me olhou confusa. – Você é igualzinha a ele. Sabe quando você está assistindo um desenho que dá risada? – Ela confirmou com a cabeça. – Você ri igual a ele. – Seus olhos profundos se iluminaram com aquela revelação.

– Você não está mentindo pra eu ficar mais feliz?

– Eu já fiz isso alguma fez?

Ela não respondeu, mas deu um abraço que iluminou meu coração.

Pensei em dizer que ela tinha os mesmos olhos dele, sem falar na mesma personalidade que tendia a me levar a loucura e ao mesmo tempo me fazer amá-la ainda mais, mas deixei isso para outra vez.

– Fica um pouquinho aqui?

– Claro! – Ela se deitou novamente, se enrolou com a única lembrança do pai que tinha – uma camisa – e fechou os olhos. Fiquei observando enquanto tentava pegar no sono novamente e me perguntei o que ela diria se soubesse de tudo o que os pais já passaram. Confesso que já cogitei nunca contar tudo pra ela, mas lembro como se senti quando descobri a própria verdade da minha vida.  Doeu mais saber que tinha sido enganada do que ter que lhe dá com tudo.

Porém eu só farei isso quando ela estiver maior e for capaz de entender tudo. Por hora ela só quer criar as próprias imagens do Fumaça e eu não posso lhe tirar esse direito. 

Eu odeio Ele – Enfrentei o passado e consegui seguir em frente; venci o sentimento de rejeição

Priscila finalmente enfrenta o que mais lhe causa dor: a rejeição.

Capítulo 41

“Acaso, pode uma mulher esquecer-se do seu filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, eu, todavia, não me esquecerei de ti.” (Isaías 49:15)

– Priscila… – A voz vinha de longe. – Priscila… – Chamou mais uma vez. A mínima parte do meu cérebro que estava consciente dizia que de alguma maneira eu devia reagir aquele chamado. Algo me dizia que aquele era o meu nome. 

– Como ela está, doutor? – Outra voz, essa era familiar, mas eu ainda não conseguia identificar de quem. Era como se grande parte do meu cérebro estivesse adormecida. 

– Ela está reagindo, mas precisa ser um pouco mais forte pra voltar totalmente.

– E a neném doutor, quando vai receber alta?  – Apesar de ainda não ter identificado quem falava e tudo está uma escuridão total, ouvir aquela pergunta fez metade da minha consciência despertar. 

Será que era o meu bebê? Então era uma menina, mas o que será que tinha acontecido? Porque será que ela ainda não recebera alta? A pequena parte de mim que estava lúcida me fez entender que eu precisava lutar, precisava ao menos tentar abrir os olhos e saber como minha filha estava. E enquanto lutava contra cada parte do meu corpo que não queria sair daquela escuridão, ouvi a resposta.

– Ela está rejeitando o leite que estamos dando e ainda respira por aparelhos, se a Priscila não acordar logo, receio dizer que a criança ficará um bom tempo aqui no hospital.

A voz falou com um tom de preocupação, eu realmente precisava fazer alguma coisa, pelo visto minha filha não estava nada bem. Talvez ela estivesse precisando de mim.

Então tentei sair da escuridão e, apesar da dificuldade, senti minhas pálpebras se mexerem.

– Priscila! – Minha cabeça doeu. 

– Ela está acordando, seu Antônio!

Saber que era meu pai me deu mais forças, obriguei minha mente a lembrar de que ele não desistiu de mim em nenhum momento, e eu tinha que fazer o mesmo pela minha filha. Tentei novamente abrir os olhos, mas em vão, era um esforço grande demais, assim como mexer qualquer outra parte do corpo.

– Priscila, acorda, por favor. Sua filha precisa de você, ela é uma menininha linda.

Meu pai como sempre dizendo a coisa certa. Minha vontade era de gritar, ele precisava saber que eu estava lutando.

– Não escolhi um nome ainda, estou esperando você, mas ti digo logo que ela tem cara de Yasmim. 

Ouvi meu pai falar sobre a bebê estava sendo doloroso, quanto mais ele falava mais eu tinha necessidade de vê-la, de segurá-la nos meus braços e ver com quem ela se parecia. Vê se ela tinha o mesmo jeito triste de olhar do pai, que enchia meu coração e me dava vontade de acalentá-lo. 

– Filha, – meu pai segurou minha mão, o que causou um choque elétrico — eu sei que está sendo difícil, mas eu estou aqui, e agora sua filha. Ela precisa de você, eu preciso. Tenho pedido todos os dias para Deus cuidar de você, mas se esforça, por favor, sozinho Ele não pode. 

– Priscila? – A voz do meu pai pareceu tranquila, ele me chamou como se eu estivesse olhando pra ele, o que achei estranho, porque eu continuava na escuridão. Mas foi quando ele apertou minha mão que entendi, eu estava segurando a sua, na verdade ele apenas retribuiu o aperto. Eu estava conseguindo, aos pouquinhos.

Tentei mais uma vez descolar minhas pálpebras e dessa vez consegui e mesmo com a vista um pouco embaçada e o incomodo da luz que me pareceu muito forte, a primeira coisa que eu vi foi o sorriso receptivo do meu pai.

– Oh minha filha, graças a Deus.

– Bem-vinda de volta Priscila!

Aos poucos fui me acostumando com a claridade, mas não soltei a mão do meu pai,  ele me passava a sensação de que não iria deixar eu voltar pra escuridão.

– Como você está se sentindo, Priscila?

Grande foi minha surpresa quando tentei responder e a voz não saiu, minha garganta estava seca e eu simplesmente não conseguia falar nada.

– Calma, sua voz não sair é normal. Você passou dias sem falar, então sua garganta deve está seca, beba esse copo com água.

Eu obedeci, torcendo pra que ele tivesse certo e não fosse nada demais. Quando a água passou pela garganta senti uma dor fina, mas ignorei. Um minuto depois senti a melhora, a boca já não estava tão seca, e quando tentei falar novamente a voz saiu baixinha.

– Pai…

– Como você está se sentido?

– Cadê ela? – Ele não pareceu surpreso por eu já saber que era uma menina.

– Logo você vai poder vê ela.

– O que aconteceu?

– Do que você lembra? – Quis saber o médico.

Forcei minha mente um pouco e respondi:

– De estar no carro e sentir muita dor, depois acho que apaguei.

– Eu te trouxe para o hospital e assim que chegamos te colocaram na sala de parto.

– O que foi muito complicado, Priscila, você estava apagada e fizemos uma cesária.

– E minha filha?

– Ela estava enrolada no cordão umbilical, – continuou e senti o medo tomar conta de mim, aquela informação era totalmente nova e mesmo não sabendo o que significava, entendi que era algo ruim – se não te operássemos naquela hora ela poderia morrer.

O primeiro aperto no coração como mãe veio e foi uma sensação horrível.

– Ela já estava rochinha, mas não se preocupe deu tudo certo. – Acrescentou rapidamente.

– E cadê ela?

– Está na incubadora, é onde os bebês que nascem prematuros ficam. – Meu pai já estava toda atualizado dos setores do hospital, o que me tranquilizou, porque tive certeza que ele estava cuidando para que minha filha ficasse bem.

– Quero vê-la, por favor. – Pedi.

– Priscila, nós vamos trazê-la, mas primeiro precisamos nos certificar de que você está bem.

– E comigo, o que aconteceu?

O médico se prontificou em prosseguir.

– Depois que passou o efeito da anestesia, você acordou por alguns segundos, perguntou por ela, mas antes que a trouxéssemos você apagou novamente. – Eu não lembrava daquilo. – Como eu disse, o parto tinha sido complicado, você perdeu muito sangue, chegamos a cogitar a possibilidade de salvar uma de vocês duas, mas milagrosamente vocês resistiram.

– Apaguei por quanto tempo?

– Três dias. – ‘Uau’, foi meu único pensamento.

– Como você está se sentindo?

– Estou bem, pai, a cabeça está doendo um pouco, mas só isso. Eu quero vê minha filha.

Meu pai olhou para o médico, parecia pedir silenciosamente que permitisse aquele encontro, e pelo visto convenceu.

– Tudo bem, irei pedir pra enfermeira trazê-la.

Eu estava super ansiosa para vê-la pela primeira vez, então agradeci quando meu pai começou a falar que a Clara e a Marta tinham ido todos os dias ao hospital. Aquele assunto me distraiu até ver pelo vidro a enfermeira trazendo algo enrolado em um pano, era tão pequeno que eu podia jurar, antes mesmo de vê, que conseguiria pegar com uma mão só.

Meu coração acelerou, olhei pro meu pai, e ele sorriu, a enfermeira entrou no quarto e foi se aproximando. Cada vez que ela chegava mais perto, eu sentia mais vontade de vê.

– Priscila, te apresento sua filha, que provavelmente se chamará Yasmim. – Ele brincou e eu sorri, mas foi de nervoso. Eu nem tinha visto ela ainda e já sentia que de alguma maneira aquela criança me dominava.

Abri os braços e a enfermeira, com muito cuidado, me entregou. Ela era da minha cor, mas apenas isso era meu, todo o resto parecia com o Fumaça, inclusive os olhos.

Ela me olhava atentamente como se estivesse tentando identificar aquela estranha que a segurava. Eu vi seu pai naquele olhar e no mesmo instante senti vontade de chorar, será que ele ficaria orgulhoso da nossa filha? Gosto de acreditar que sim. Segurei as lágrimas, e fiquei estudando cada parte daquele pequeno ser. Eu fiz um carinho em sua cabeça, e então ela sorriu, um sorriso rápido e tímido, mas foi o suficiente. Naquele instante eu entendi minha vida, foi como vê um flash de todos os momentos, eu entendi finalmente como Deus trabalha.

Assim que aquela criança tocou meus braços uma espécie diferente de amor encheu meu coração, naquele momento houve uma troca silenciosa de promessas. Eu prometendo cuidar, proteger e garantir que ela tivesse a melhor vida possível, e em troca ela prometia vim correndo pros meus braços no final de cada dia com um sorriso no rosto de agradecimento e mostrando o quanto estava segura e feliz.

E com Deus não seria assim? Ele cuida de nós, nos protege até de nossas próprias escolhas e no fim sempre temos que lembrar que devemos nossa vida a Ele, não como um fardo, mas como uma forma de agradecimento. 

Naquele breve instante com minha filha compreendi a verdade que neguei tantas vezes: Mesmo que eu fazendo às coisas da minha forma Ele deu um jeito de transformar o mal em bem. Mesmo eu fazendo diversas escolhas erradas, virando as costas para Seus ensinamentos, Ele agiu como Pai e não me deixou só. Mesmo que eu fizesse pouco caso de Sua presença Ele sempre esteve por perto.

Entender isso fez com que eu me sentisse a pior pessoa do universo. 

– O que foi filha, porque você está chorando assim?

– Vou levar a criança até ela se acalmar. – Disse a enfermeira, tirando a bebê dos meus braços e sendo seguida pelo médico até a porta.

– Eu sou uma pessoa horrível, Deus deve me odiar.

– Não diga isso, – me abraçou – Deus não odeia ninguém.

– Eu O culpava por algumas coisas, quando na verdade Ele sempre ajudou, mesmo quando escolhi errado. 

– Ele ama tanto você que nunca te abandonou. Deus não se importa com nossos pecados quando nos arrependemos, Ele não olha pro que fazemos de errado, Ele olha para o nosso arrependimento e sinceridade.

– Mas pai…

– Não tem mais nem meio mais Priscila. Assim como eu e sua… – Ele parou no meio da frase. – Assim como eu te esperei de braços abertos, Deus está esperando por você.

Abracei meu pai com mais força e em pensamento falei com Deus.

“Senhor, obrigada por tudo, por cuidar de mim mesmo quando não pedi Sua ajuda. Por mesmo sem que eu percebesse ter sarado minhas feridas e ter me dado forças para seguir em frente. Sei que não mereço e em troca te entrego minha vida.”

– Tem uma pessoa querendo te vê. – Quando ele se afastou não me senti sozinha, pelo contrário, Alguém continuou me abraçando e aquilo me fez sorrir de verdade, como há muitos meses eu não fazia, ou melhor, como eu nunca tinha sorrido na vida. 

– É a Clara?

Ele hesitou com a pergunta e achei estranho.

–É o Wilson, mas se você não quiser vê-lo tudo bem.

– Pode mandar ele entrar. – Essa permição aumentou a sensação de paz que eu acabara de descobrir.   

– Tem certeza? – Meu pai estava surpreso.

– Sim. Pai só uma coisa, você perdoou minha mãe?

Ele refletiu na resposta por alguns segundos e por fim disse:

– Quando temos consciência que precisamos de perdão diante de Deus não nos importamos em perdoar o próximo. Não estou dizendo que foi fácil, ainda sinto a dor de ter sido enganado, principalmente por sua mãe, mas Deus tem me ajudado, quando eu choro Ele me conforta. Sem mencionar que está sempre me mostrando o lado bom de tudo isso.

– Que seria?

– Você. – Parou por alguns segundos e acrescentou:

– O mais difícil foi me perdoar, mas com muita luta e ajuda Dele eu consegui. Entendi que ficar remoendo o passado não ia adiantar de nada, principalmente quando recebi outra chance de fazer tudo certo.

Meu pai tinha sido levado a julgamento por cumplicidade em ocultação de cadáver em um homicídio culposo, mas milagrosamente o júri o perdoou.

Eu sorri e ele saiu.

Enquanto meu pai foi chamar o Wilson fiquei pensando em um milhão de coisas para dizer. Primeiro tive vontade de gritar, dizer que o que ele fez não era certo, mas lembrei de que eu não tinha o direito de julgá-lo. Depois pensei em jogar em sua cara como eu era feliz com o pai que ele me dera, mas não falei nem uma coisa nem outra.

– Priscila?

– Oi. – Respondi tímida.

– Como você está se sentindo?

– Bem. – Meu nervosismo era nítido.

– Faz tempo que quero falar com você… – Foi se aproximando e confesso que fiquei meio desconfortável.

“Mas foi covarde demais pra isso.”

– Eu imagino.

– Priscila, eu não contei tudo por que você descobriu, já tinha decidido fazer isso quando você fugiu.

– Ah.

Diante do meu silêncio ele continuou, mas não menos nervoso do que eu.

– Não pense que deixei de pensar um dia sequer em você. Sempre que ti via com a Clara me sentia a pior pessoa do mundo por ter sido covarde demais para assumir meus erros.

– Então eu fui um erro? – Não pude deixar essa passar.

– Claro que não! O meu erro foi trair minha esposa, mas você não tinha culpa de nada e eu não tinha o direito de fazer o que fiz, mas confesso que senti orgulho de você a cada ano que via como estava crescendo bem. Tentava amenizar minha culpa dizendo que tinha feito a escolha certa, pois eu nunca seria capaz de fazer o que o Antônio fez.

“Porém não posso negar que descobrir a verdade sobre sua mãe me deixou sem chão. Desde então não consegui dormir direito imaginando o que poderia ter acontecido com você e que a culpa seria sempre minha. Pode não parecer verdade, mas à minha maneira eu amo você. Não sou capaz de desenhar aqui como me senti sempre que íamos a alguma apresentação da escola de vocês e era sempre para os braços do Antônio que você corria. De certa forma, parte de mim esperava que você viesse até mim. Eu sempre tive um relacionamento um pouco conturbado com a Clara porque sempre me julguei um péssimo pai por ter te abandonado.

Quando descobri que você era alvo do Miguel vi uma chance de me redimir, imaginei que se te salvasse, um dia você poderia me perdoar. Era como se te manter segura fizesse você ter uma dívida comigo e eu só ia exigir o seu perdão. Mas eu não sou capaz disso, Priscila, não posso exigir nada de você. Sei que tenho sido um péssimo homem, e por falar nisso, sua tia não tem culpa de nada. Ela foi pressionada por mim. Ela te ama.

Sei que não mereço o seu perdão e por isso passei tanto tempo sem te procurar, tinha medo da sua reação, de ouvir de você todas as verdades e acusações que me fiz. Mas parte de mim também tem medo de te decepcionar novamente, por isso a escolha é sua daqui pra frente. A imprensa está em cima da minha família, eles estão fazendo especulações, mas nada confirmado, e não será se você não quiser. Eu não tenho mais receio de gritar pro mundo que você é minha filha, mas tenho muito medo de não suportar a ideia de ti machucar outra vez. Por isso, Priscila, sinta-se à vontade para me odiar.”

Quando ele terminou de falar eu estava sem ar. Era como se parte de mim tivesse sempre desejado ouvir aquilo. A alegria que senti por aquelas palavras parecerem tão reais era maior do que eu gostaria e para minha surpresa eu não tive outra reação senão a de abraçá-lo – acredite, aquilo pareceu a coisa mais certo que já tinha feito na vida.

Continua…

Eu odeio Ele – Seis meses depois

Priscila volta para as atividades normais de antes, mas o destino ainda lhe aguarda mais uma surpresa. Confira!

Capítulo 40

“Qual dentre vós é o pai que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? {…} Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?” (Lucas 11:11)

Mesmo com tudo o que tinha acontecido, meu pai me obrigou a voltar minha rotina normal. Uma semana depois de sair do hospital ele me fez ir à escola, pro curso de inglês, e claro, fazer o pré-natal. A tentativa dele de não me deixar à toa funcionou, pois eu chegava tão cansada que só tinha forças pra dormi ou vomitar.

Eu já estava no oitavo mês de gravidez e ainda não tinha conseguido descobrir o sexo do bebê, aquilo estava me deixando maluca de tanta ansiedade. Não tinha pensado em muitos nomes e os poucos que cogitei não me agradavam.

A Clara estava me ajudando a comprar tudo e confesso que de vez em quando ela me irritava, pois não parava de falar que eu deveria perdoar seu pai, ou melhor, nosso pai. Ela alegava que ele não tinha me procurado ainda por medo da minha reação, mas aquilo não me comovia. Eu não queria que ele se sentisse obrigado a criar nenhum tipo de laço comigo, eu já tinha um pai e não estava à procura de outro.

A única coisa que eu procurava era uma mãe, já que estava prestes a ser uma e não fazia ideia de como fazer certo, levando em conta os exemplos que tive. Minha tia sempre dizia que ser mãe de verdade era pensar sempre no bem-estar do filho antes do seu, mas desconfio que ela falava isso só para se justificar e me fazer perdoá-la.

Por falar nisso, aceitei o fato de ela ter tomado uma decisão errada e se arrependido, mas não a tinha aceitado como mãe. Ela continuava sendo minha tia. Quando ia lá em casa eu a tratava bem e até conversava sobre alguns assuntos aleatórios. Ela respeitava e não fazia outras investidas, o que facilitou as coisas entre a gente.

Já com minha mãe estava impossível. Ela foi internada em um hospital psiquiátrico e eu não havia ido visitá-la nenhuma vez, porque sabia que se fizesse isso, todos os pensamentos que eu lutava o dia todo para evitar iam vim à tona e eu iria desmoronar, Os pesadelos iriam sair do meu sono e passariam a ser reais.

Meu pai que sempre ia e admito que não entendia o porquê ele se sujeitava aquilo. Voltava triste pelo estado que a encontrava, principalmente quando ela não o recebia.

 Uma noite depois de acordar de mais um pesadelo em que minha mãe corria atrás de mim com uma faca e gritava que iria acabar comigo, pois a culpa pela morte da Isabella era minha, acordei ofegante e com falta de ar – sempre acontecia isso, mas daquele vez estava pior.

– Pai! Pai, me ajuda! – A dor veio de repente e alucinante.

– Priscila o que foi?

Com a voz ainda meio grogue de sono meu pai chegou correndo ao meu quarto.

– Ai, pai, tá doendo!

– Calma, filha, onde dói?

– Minha barriga! Meu bebê! Tá acontecendo alguma coisa.

Desde que sai do hospital a gravidez estava tranquila, não havia sentido mais dor. Porém naquela noite, do nada, eu senti umas pontadas fortes.

– Vou te levar pro hospital.

– Pai, o que é isso? O que tá acontecendo? – Eu não conseguia nem me levantar da cama.

– Eu não sei, filha. – Admitiu com a voz desesperada. 

Quando vi minhas mãos banhadas de sangue.

– Pai, me ajuda! – Fiquei tonta e não conseguia mais nem respirar.

– Calma, Priscila, vai dá tudo certo.

Ele me pegou pelo braço, mas ao invés disso me confortar foi pior, a nova posição aumentou as dores. Eu estava começando a ver tudo preto. No elevador eu sentia o sangue jorrando entre minhas pernas, e alguma coisa me dizia que algo muito ruim estava prestes a acontecer.

– Pai… – Eu disse quando ele me colocou no banco de trás do carro, já não conseguia vê muita coisa e estava sem forças até para gritar. 

– Filha, não se esforça. Fica quieta, por favor.

– Salva o bebê, por favor.

– Priscila presta atenção: eu não vou perder você, não agora depois de tanta coisa.

A voz dele parecia longe, mas consegui identificar certa firmeza.

– Você tem que salvar meu filho. – Supliquei.

– Vou salvar vocês dois, só preciso que você faça uma coisa.

– O quê?

– Deixa Deus cuidar de você, deixa Ele cuidar dessa criança, Ele vai fazer o melhor pra vocês minha filha…

Eu tinha escolha? Então em meio à dor e ao medo chamei por Ele com todas as forças que ainda me restavam.

“Eu preciso que o Senhor me ajude. Não deixe o bebê morrer, por favor, ele não tem culpa de nada… Eu entrego minha vida em Tuas mãos…”

E aquelas foram as últimas palavras que se passaram em minha mente.

Continua…

Eu odeio Ele – Deixei de lutar contra Deus

Priscila finalmente entente que Deus quer ser seu aliado e não inimigo.

Capítulo 39

“Este é o meu consolo no meu sofrimento: A tua promessa dá-me vida.” (Salmos 119:50)

Passei mais dois dias no hospital, meu pai não saiu do meu lado por mais que eu o mandasse descansar. Durante esse tempo o bebê mexeu pela primeira vez e aquilo me deu um ânimo. Foi maravilhoso senti-lo, era como se fosse uma extensão do Fumaça e o melhor era ter a sensação de que nunca mais estaria sozinha.

Pra minha surpresa a Clara foi me visitar. No começo eu não sabia como agir, e notei que nem ela, pois começou perguntando como eu estava e dizendo que sentia muito. Porém quando viu que não podíamos mais adiar o inevitável tocou no assunto.

Disse que demorou a entender que eu tinha sido tão enganada quanto ela e que não me culparia mais por nada. Pediu desculpas pela sua reação e me contou da reação da sua mãe quando soube de tudo. Assim como a Clara, a Marta tinha ficado uma fera comigo também, mas logo amoleceu o coração quando tomou conhecimento do ocorrido com minha mãe.

Parte de mim ficou feliz em saber que o Wilson tinha contado tudo, mas a outra parte me alertava que isso só tinha acontecido por ele ter se sentindo acuado. Afastei o pensamento e me concentrei na minha amiga, ou melhor, minha irmã.

Ela confessou como tinha sido descobrir e que se sentiu traída, mas que naquele momento estava feliz em saber que ao menos a traição de seu pai resultara em mim. Ambas rimos e percebemos que estava tudo bem entre a gente, o que foi algo importante, já que a Clara sempre foi minha melhor amiga e eu não queria perder mais ninguém.

– Hoje você sai daqui, bela adormecida.

– E você se ver livre de mim.

A Lúcia deu um sorriso murcho e me entregou um copo de água.

– Deixe esse bebê longe de confusão.

– Pra isso ele teria que ter outra mãe. – Era pra ser uma brincadeira, mas saiu em um tom seco.

– Você vai ser uma ótima mãe. – Meu pai entrou.

“Só se eu não puxar as duas que eu tenho”, pensei.

– O senhor ligou pro Ricardo? – Eu disse pra mudar de assunto.

– Sim, ele está vindo. – Pedi que meu pai ligasse pra ele para que eu pudesse agradecer por tudo. – Enquanto isso você vai ajeitando suas coisas.

Eu só tinha alguns pertences básicos, mas resolvi fingir que guardava só pro tempo passar.

– A porta estava meio aberta, por isso já fui entrando.

– Sem problemas. – Eu disse sentando na ponta da cama.

– Como você está?

– Sei lá, tenho tentado não pensar muito para não doer.

– Mas não é melhor sentir de uma vez do que achar que ela vai estar em casa quando você chegar?

– Eu não acho. Se teve uma coisa que eu aprendi nessas últimas semanas é que nunca nos acostumamos com a dor.

– Acostumar não, mas aprender a lidar com ela é possível. – Ele disse sentando ao meu lado.

– Eu não sei como fazer isso. – Desabafei olhando pro chão. – Não faço ideia de como vai ser quando chegar a hora do jantar e não ter mais ela pra reclamar porque não como verduras. – Dei um sorriso me lembrando das inúmeras vezes que isso aconteceu. – Não sei como vai ser ir pra escola e não ter ela preparando meu café e pior ainda, não sei como vou viver sabendo que tudo não passou de uma farsa, que ela nunca me amou. – Minha intenção não era falar aquelas coisas, mais quando vi já tinha saído. – Estar aqui no hospital faz tudo parecer um sonho ruim. Eu fico achando que quando passar por aquela porta ela vai está me esperando e dizer que tudo foi um pesadelo. Sair daqui me assusta mais do que admito, porque voltar pra casa significa confirmar que tudo é real.

Ele colocou a mão sobre meu ombro e disse:

– Vai dar tudo certo.  – Olhei pra ele confusa. – Que foi?

– Quando eu quero que você fale a única coisa que sai são quatro palavrinhas clichês?

Ele fez cara de ofendido.

– Você não me deixou terminar. Vai dar tudo certo porque eu sei que você parou de brigar com Deus.

– Como você sabe disso?

– Pela maneira como você está lidando com tudo. Tem se esforçado para ficar calma, mesmo que dentro de você esteja um turbilhão de sentimentos.

– Eu não parei de brigar com Ele, só pedi que me ajudasse a lutar.

– Tenho certeza que é uma opção melhor do que lutar contra Ele.

Dei um sorriso sincero. Aquele policial maluco conseguiu me ajudar desde que nos conhecemos. Ele realmente tinha se tornado um amigo.

– Obrigada.

– Por não ter te levado pra delegacia naquele dia? – Seu tom era de riso. – Nós dois sabemos que se eu tivesse feito isso tínhamos evitado muitas coisas. 

– Eu teria dado um jeito de fugir, e o obrigada é por tudo, inclusive por estar aqui até agora.

– Se não fosse eu seria outro. Só que ninguém estava a fim de proteger uma garota marrenta.

– Então jogaram pra você?

– Isso mesmo.

Eu dei risada e ele me acompanhou.

– Cadê o Toddy?

– Foi liberado. Era esse o acordo. Ele entregava tudo o que sabia e recebia o direito de responder em liberdade.

– Bom pra ele… – Eu não fui tão sincera naquelas palavras. Achava um pouco injusto o Toddy está livre tendo a chance de fazer o que desejasse enquanto o Fumaça já tinha perdido a sua.

– Eu acho que dessa vez ele vai mudar de vida. Me pareceu sincero quando disse que queria uma oportunidade.

Eu não disse nada, estava pasma com a facilidade que ele tinha pra confiar nos outros. O Toddy era do mesmo tipo do Fumaça, eles se arrependiam, mas dificilmente acreditavam na possibilidade de mudar. Com certeza aquilo tinha sido uma jogada e me perguntei como o Ricardo conseguiu ser policial com tanta ingenuidade. 

– Eu preciso ir. – Ele disse e na hora senti um aperto no peito.

– Meu pai já deve estar louco. – Falei para disfarçar.

Levantei da cama e fui caminhando em direção à porta, ele fez o mesmo, mas antes de abrir me falou uma última coisa.

– Priscila, eu não sou capaz de imaginar o quanto vai ser ruim pra você, mas pode ter certeza que Deus sempre estará do seu lado. O único problema é que Ele não é mal-educado, não grita, respeita nossas vontades e não se mete em nossa vida quando não pedimos. Por isso quando você achar que não vai aguentar, fale com Ele, mesmo que não abra literalmente sua boca, chame-O no coração. Tenho certeza que Ele vai te responder.

Aquilo trouxe um conforto inexplicável, por alguns segundos aliviou o medo e o nervosismo que eu estava tentando evitar. Não tive outra reação senão abraçá-lo e mesmo surpreso com o gesto retribuiu.

– Obrigada, vou me lembrar disso.

– Vê se lembra de deixar de ser marrenta. – Brincou.

– E você vê se deixa de acreditar demais nas pessoas.

– Até em você? – A pergunta veio acompanhada de um meio sorriso.

– Talvez. Você mesmo disse que…

– Teria evitado muitas coisas se… blá blá blá…

Não estávamos mais nos abraçando, mas percebi que ainda continuamos muito próximos. Tão perto que percebi seus olhos vacilarem e ele se afastar um pouco quando eu disse que confiaria minha vida a ele depois de tudo o que tinha feito por mim. Para minha surpresa não tomei aquela reação como uma ofensa. Eu já tinha me acostumado com esse jeito meio maluco dele.

– Eu nunca achei que ficaria amiga de um policial, principalmente do que queria me prender.

– Tá vendo, não sou só eu que confio nas pessoas erradas. – Brincou e eu sorri.

Um sorriso leve e tranquilo, como há muito tempo eu não dava.

O celular dele tocou, e em um pulo nos afastamos.

– Tá na minha hora.

Eu não disse mais nada, não consegui. Um bolo na minha garganta se formava, então apenas assenti e o vi sair.

Aquela foi a última vez que nos falamos.

Continua…

Eu odeio Ele – Segredos são uma grande cilada

Descrubra todos os segredos do passado de Priscila Maia.

Capítulo 38

“Os pecados de alguns homens são notórios e levam a juízo, ao passo que os de outros só mais tarde se manifestam.” (1 Timóteo 5:24)

Pela segunda vez na minha vida chorei pelo o que pareceram horas – mas que pode não ter passado de minutos.

– O que aconteceu depois que sai?

– Tem certeza que você quer saber? – Meu pai questionou.

– Sim. – Respondi com uma falsa segurança.

– Seu Antônio, vamos estar aqui fora se precisar.

– Não, podem ficar! – Ele parecia ter medo de ficar a sós comigo. – Ela pode precisar da senhora. – Desconfiei que ele era quem poderia precisar de cuidados médicos.

– Pai, fala.

– Sua mãe já não estava bem há um tempo. – Começou. – Eu que vinha ignorando, achando que era coisa da minha cabeça.

– Não estava bem como? – Interrompi, nervosa.

– Priscila, antes de tudo eu preciso te contar uma coisa.

Respirei fundo e esperei a bomba.

– Sua mãe e eu tivemos uma filha antes de você nascer. – Não posso dizer que fiquei chocada com aquela revelação. A verdade é que eu já tinha descoberto tantas coisas nos últimos tempos que aquele segredo não me pareceu tão perturbador.

– E cadê ela, pai? – Perguntei mais por falta do que dizer do que por interesse na questão.

– Ela está morta. –Seus olhos pareciam perdidos em algum ponto da parede à nossa frente, e devo dizer que naquele instante senti o mesmo clima pesado que estava na minha mãe no dia em que eu disse que ia tirar o bebê. – Sua mãe a matou acidentalmente.

– Não entendi, pai. – Comentei com sinceridade e ele mergulhou em passado do qual eu não fazia parte.

– Ela tinha 10 dias quando aconteceu. – Seu tom de voz estava pesado e eu podia sentir que sua alma e seu coração também. – Eu cheguei em casa do trabalho e sua mãe estava dormindo em cima dela. Minha reação foi correr e acordá-la, mas já era tarde. A bebê não respirava mais.

“Parecia que eu estava em um sonho. Me senti completamente impotente e desnorteado, mas nem posso me comparar a sua mãe. Ela estava em estado de choque. Com a criança em seus braços não conseguia se mexer, ficava sussurrando que tudo ia ficar bem e que a neném só dormia.

Duas horas depois ainda não tínhamos saído do quarto. Eu não sabia o que fazer e quando já estava quase ligando pra polícia sua mãe despertou do estado de dormência.”

Em alguns momentos ele parava para pensar, como se estivesse resgatando detalhe por detalhe daquela história, e logo depois continuava.

“A Sônia disse que íamos enterrar a criança e que adotaríamos outra da mesma idade. Como ela tinha apenas dias, ninguém perceberia a mudança, os bebês mudam muito. E assim nós fizemos.”

– Pai, porque vocês não pediram ajuda?

– Não conseguimos, filha. Fomos covardes. Sua mãe só chorava dizendo que todos a condenariam, que ninguém entenderia que ela estava a várias noites sem dormir amamentando. Claro que não justifica, mas eu estava muito abalado e acatei a sugestão dela.

– Como era o nome da criança? – Acredite, com tanta coisa importante naquela história, foi a esse detalhe que me apaguei.

– Isabella.

Eu não tinha mais nada pra falar. Tudo o que queria era que meu pai saísse dali. Tinha me enganado quando pensei que não poderia ter nada pior do que a adoção.

– Você deve está se perguntando como o Wilson entra nessa história… – Errado. Confesso que nem tinha pensado nisso, mas deixei que ele continuasse. – Eu não aguentei guardar o segredo só comigo por mais de dois dias. Eu não dormia, não comia, nem mesmo trabalhar eu conseguia, então liguei desesperado pro Wilson e contei tudo.

– E como ele queria se livrar do problema dele, juntou o útil ao agradável. – Conclui.

– Minha filha, você não era um problema… – Ele não falou com convicção suficiente.

– Não? Eu tampei o buraco da filha que vocês mataram!

Meu pai não disse nada, apenas abaixou a cabeça e se levantou.

– Pai, desculpa. – Precisei repetir que a culpa não era dele, que foi minha mãe que matou a primeira filha e queria destruir a segunda. – Por favor, me diz o que aconteceu com a mãe.

Mesmo não sentando mais, ele continuou.

– Antes de você desaparecer encontrei a Sônia diversas vezes chorando sozinha no quarto com todas as fotos de sua gravidez em cima da cama.  Claro que eu entendia sua dor, eu também tinha perdido uma filha, e ainda carregava a culpa comigo. Confesso que sua chegada amenizou a angústia que eu sentia, mas aumentou a culpa. Sua mãe aparentemente nunca sofreu com a perda. Era como se ela vivesse em um constante estado de negação. Ás vezes acho que ela realmente acreditava que você era a nossa primeira filha. Por vezes já quis contar para alguém, mas a coragem sempre faltava. Mesmo depois que encontrei Deus, eu não consegui me libertar do passado.

– É o famoso versículo “Conhecereis a verdade e ela voz libertará…” – Lembrei.

– Sim. Talvez se tivesse optado pela verdade, a Sônia não tivesse chegado nesse estado.

– Pai, como ela conhecia o Miguel?

– Nos conhecemos na faculdade, mas eu não fazia ideia de que a Sônia ainda tinha contato com ele. Eu sempre o detestei, e nunca tive nenhuma proximidade, mas sua mãe tinha por causa da Margarida.

– Ela traia você com ele? – Pensei alto demais e meu pai tentou disfarçar o quanto aquela possibilidade o abalou.

– Sim. Na verdade, uma vez, ainda na faculdade, eu peguei os dois se beijando. Quis terminar tudo, mas a Sônia implorou perdão. Hoje eu sei que talvez ela só quisesse evitar que eu contasse tudo pra Margarida. Segundo o médico, a Sônia sofre de esquizofrenia. – Acrescentou, desesperado para mudar o foco da conversa. – Na mente dela você ainda era a Isabella e nos momentos em que ela percebia que isso não era verdade e que ela tinha matado a própria filha era consumida pela culpa, porém desviou isso para você.

– Por isso ela quis me vender. – Deduzi.

Meu pai tremia e seus olhos se encheram de lágrimas novamente. Eu não disse nada, doía ouvir aquilo.

– Ela nunca me amou…

Ele abriu a boca para dizer alguma coisa, mas desistiu.

– Minha filha, sua mãe precisa de ajuda, ela está doente. Quer dizer, sempre esteve, eu que nunca percebi.

– Pai, você não tem culpa.

– Infelizmente, tenho. É claro que não sou criança, sei que sua mãe teve chance de pedir ajuda. Deus não é injusto, ela tinha momentos de lucidez em que deveria ter gritado por socorro, mas não fez. Só que se eu tivesse sido mais sensível teria percebido isso. Ninguém mata a própria filha e consegue guardar esse segredo sem que aja consequências.

– Onde vocês enterraram a criança? – A curiosidade surgiu de repente. 

– No cemitério do outro lado da cidade. Fizemos um funeral pra ela. Apenas nós dois, claro. A família pensava que estávamos viajando, aproveitando a novidade de ter uma filha, e só voltamos dessa “viagem” quando estávamos com você.

– E agora, o que vai acontecer com ela?

– Sua mãe está sendo examinada e dependendo dos resultados dos exames ela vai pra um hospital psiquiátrico.

– Ela assumiu tudo?

– Sim, no interrogatório, hoje à tarde. 

– E com você, pai?

Ele entendeu a pergunta.

– Provavelmente serei preso, minha filha. – Respondeu cabisbaixo.

Sem que eu percebesse tinha começado a chorar.

– Priscila, você tem que se acalmar. – A enfermeira interveio. – Seu Antônio é melhor o senhor esperar lá fora.

– Eu não vou deixar minha filha sozinha.

– Ela vai ficar bem, vou levar o senhor pra comer alguma coisa. – Eu nem lembrava mais da presença do Ricardo e da Lúcia.

– Eu não vou a lugar nenhum, vou ficar com ela e ponto.

– Ela não vai se acalmar com o senhor aqui.

Vê-los discutindo sobre mim, como se eu não estivesse ali, me irritou mais ainda.

– Saiam todos, por favor.

– Priscila, tenho que te dá um remédio…

– Não vou tomar nada, quero ficar sozinha.

– Filha…

– Pai, eu vou ficar bem.

Ele chegou mais perto de mim, segurou minha mão e disse:

– Eu amo você e não vou te abandonar. – Aquilo trouxe um alivio, mas não diminuiu a mágoa.

– Eu sei, mas, por favor, me deixa sozinha.

Ele relutou, mas deve ter imaginado que eu precisava de tempo pra processar tudo.

– Se precisar de alguma coisa estou aqui fora.

– Eu vou ficar. – Declarou a enfermeira. Odiei ela. Não sei se queria cuidar de mim ou apenas não perder nenhum detalhe da minha vida nada normal.

– Não, já disse, estou bem.

– O que você faria se descobrisse que sua própria mãe queria te jogar em um prostíbulo? – Todos olharam assustados na direção daquelas palavras. – Iria querer ficar ouvindo dos outros que você não tinha culpa de nada e receber pena?

Ele falava na hora errada e dizia as coisas sem pensar, mas naquele momento não podia ter acertado mais.

– Tudo bem, se precisar é só chamar. – Respondeu contrariada. 

Até meu pai pareceu entender que o certo era me deixar sozinha, então dei um meio sorriso agradecido e o Ricardo retribui com um leve aceno.

– Pai! – Chamei quando ele já estava na porta.

– Oi, filha.

– Você culpa Deus por tudo isso?

Ele pareceu surpreso com a pergunta, mas não demonstrou dificuldade em responder.

– Não. Nós fizemos a escolha errada. Nós só colhemos o que plantamos. Se tivéssemos pedido ajuda teríamos evitado muitas coisas. E Deus nos alertou por diversas vezes através da Sua palavra, mas nós preferimos manter o segredo. Fomos orgulhosos demais pra pedir ajuda. Mas, minha filha, Ele é misericordioso e sabe o quanto estou arrependido e que se pudesse voltar no tempo faria tudo diferente. Então eu prometo pra você que não estaremos sozinhos enfrentando essa barra. Um dia tudo isso vai passar.

Ele acabou, virou as costas e me deixou sozinha refletindo em tudo o que tinha dito.

Olhei para dentro de mim e procurei o que eu mesma pensava sobre aquilo. Me perguntei se eu culpava Deus e surpreendentemente descobri que não. Lembrei que o Fumaça tinha dito que eu podia ficar me lamentando por ter sido abandonada ou agradecer por ter sido acolhida.

Hoje eu sei que só fui aceita por uma pessoa, mas eu continuava tendo as mesmas opções: lamentar por minha mãe ou agradecer por meu pai. E mesmo com toda a dor que sentia, mesmo a mágoa crescendo sempre que eu repassava tudo em minha cabeça, gritei por socorro.

Eu não queria cometer o mesmo erro de não pedir ajuda e muito menos queria ter o fim da minha mãe – é claro que não a culpo por ter matado a Isabella, mas a culpo por ter escondido o fato. Talvez se não tivesse guardado o segredo pudesse ter amenizado a culpa com uma nova filha. Eu sei que não seria fácil, as pessoas com certeza a condenariam, mas também teria quem entenderiam. Ela tinha tido o apoio da família e dos amigos. Afinal de contas ninguém planeja dormir em cima da própria filha.

Eu não tinha saída, precisava pedir ajuda Aquele que eu ouvi que sempre estaria do meu lado, mesmo quando eu não estivesse do Dele.

“Se o Senhor puder, por favor, diminua essa dor. Eu não sei se suportarei, mas se não preciso mesmo passar por tudo isso sozinha, me ajuda, fica do meu lado, porque ninguém mais sabe o que se passa dentro de mim.”

Foi algo breve, e até ousado da minha parte, mas que me trouxe uma calma imediata. Não diminuiu a dor, porém senti uma tranquilidade, como se finalmente eu tivesse colocado tudo pra fora. Falar com Ele foi como tirar um peso. Achei engraçado já que eu desejava isso toda vez que chorava, mas nunca conseguia ficar aliviada.

Por mais incrível que pareça eu dormi e não tive pesadelos. 

Continua…