Daniel – O homem que não falava nunca

Daniel sempre gostou de viver sozinho. Ele nunca curtiu dividir problemas, muito menos alegrias. Era apoiador da filosofia do ninguém sabe ninguém estraga.

Até o dia que em que ele conheceu Samanta. Divertida, espontânea e tudo o que Daniel mais odiava: falante.

A atração foi imediata e a paixão inevitável. Os dois se tornaram inseparáveis.

O relacionamento era assim: Samanta falava, Daniel concordava. Ela desabafava e ele abraçava. Nada além disso.

“No que você está pensando, amorzinho?”

“Em nada.”

“Como em nada? É impossível ficar sem pensar em nada.” E mais uma vez Daniel se calava.

Esse diálogo era constante na vida do casal e um dia Samanta se cansou. Arrumou as coisas e disse que ia embora, caso Daniel não se propusesse a ser uma pessoa mais aberta. Alegou que não sabia nada sobre ele. Que queria que o compartilhamento de sentimentos e problemas não fosse apenas da parte dela.

Daniel, que já estava há muito tempo cansado da voz de Samanta, esperou um minuto para falar alguma coisa, mas no último momento não disse nada. Deixou que ela fosse embora sem uma resposta, sem uma justificativa.

O rapaz sofreu o fim do término, mas como sempre não compartilhou com ninguém.

Após se recuperar, Daniel nunca mais namorou ninguém e se chegou mais ainda em seu mundo silencioso. Ele morreu aos 35 anos de idade de ataque cardíaco. Na certidão de óbito a causa da morte foi: um pedaço de vidro engolido após uma taça explodir em sua mão por conta de um susto que ele tomou, enquanto comia em um restaurante e uma mulher gritou de felicidade na mesa ao lado, após ser pedida em casamento.